Antes de tudo é preciso ressaltar que Lucas dá grande destaque, em seu evangelho, à misericórdia de Deus e às mulheres, dentre outros. E o evangelho deste domingo quer visibilizar esse perdão de Deus que transcende toda fraqueza e pecado humanos. Também destaca as mulheres como constituintes do grupo dos discípulos.
O relato do evangelho deste domingo nos permite refletir sobre três elementos presentes nas nossas relações com Deus e com os irmãos: o pecado, o perdão de Deus, o preconceito.
O evangelho mostra que Jesus não tinha medo de pessoas mal-afamadas. Naquela atitude da pecadora que chora a seus pés, esconde-se o mistério do amor de Deus. A mulher mostrou muito amor porque encontrou grande perdão.
O pecado: é a recusa do amor e da comunhão com Deus. É recusar-se a amar. E traz como consequência a desagregação do ser humano e da sociedade. Deus é a fonte de vida. Ora, recusar-se a acolher o amor de Deus é desprezar a fonte de vida. A consequência disso é a morte, cujo sinal é a morte física. Os males que nos cercam como a violência, a corrupção, o tráfico de drogas e de seres humanos, a coisificação da pessoa, a ganância, da dominação do outro, a traição, a mentira, a exploração irresponsável da Mãe Terra são realidades de pecado que traz em seu interior a destruição, a dor, a tristeza, o desencanto, a morte.
O perdão: o evangelho de hoje vem nos mostrar que Jesus veio para destruir o pecado e fazer brotar vida nova. Ao acolher aquela mulher pecadora na casa de Simão, o fariseu, Jesus deixa transparecer o rosto misericordioso do Pai. E aqui é preciso notar um aspecto muito importante do relato de hoje: o perdão de Deus precede o amor humano. Aquela mulher amou muito porque se sentiu perdoada, amada por Deus. Não se pode entender o perdão de Deus como resposta ao amor humano, mas pelo contrário, o amor que o ser humano manifesta a Deus revela sua acolhida ao perdão do Pai. O ser perdoado é motivo mais forte para amar mais a Deus. “São amigos de Deus aqueles que reconhecem diante de Deus sua dívida de amor e dele recebem a remissão. Então, abrir-se-ão em gestos de gratidão, semelhantes ao gesto da pecadora” [Pe. J. Konings].
O preconceito: é outro elemento que precisa ser considerado no relato de hoje. Vejam que aquele fariseu [portanto, religioso observante] lançou sobre aquela mulher um olhar de terrível preconceito. “Vendo isso, o fariseu que o havia convidado ficou pensando: ‘Se este homem fosse um profeta, saberia que tipo de mulher está tocando nele, pois é uma pecadora’”.
O preconceito é um dos grandes males da sociedade e da Igreja. Olhamos a pessoa por fora, pelos rótulos que lhe foram colocados. Temos imensa dificuldade em lançar um olhar de profundidade como o de Jesus. Custa-nos ver as pessoas além das aparências. Jesus enxergava a alma da pessoa. Ainda que estivesse tomada pelo mal, Jesus procurava compreender, tomar pela mão e ajudar a se erguer.
Quando nos lembramos das mulheres prostituídas, então sim, pesa mesmo um olhar preconceituoso. A sociedade as discrimina e condena. O mesmo faz a Igreja, com raras exceções. São usadas como objeto por grandes e pequenos. Há gente graúda, cheia de dinheiro e de poder, às vezes muito religiosas até, que se valem das mulheres como mercado para satisfazerem a seus caprichos e desejos desordenados. Depois as jogam na sarjeta do preconceito e do desamparo. A respeito delas escreve Pe. Pagola: “Estas mulheres enganadas e escravizadas, submetidas a toda sorte de abusos, aterrorizadas para mantê-las dominadas, muitas sem proteção nem segurança alguma, são as vítimas invisíveis de um mundo cruel e desumano, silenciado em boa parte pela sociedade e ignorado praticamente pela Igreja. Seguidores de Jesus não podemos viver indiferentes ao sofrimento destas mulheres. Nossas Igrejas diocesanas não podem abandoná-las à sua triste sorte”. Compreende-se então porque Jesus disse: “Os cobradores de impostos e as prostitutas vos precedem no Reino de Deus” [Mt 21,31].
O fariseu que convidou Jesus era um homem profundamente religioso, mas não foi capaz de ultrapassar uma religião de rito. Assim só ocorre dentro de nossas comunidades: há muito rito e pouco empenho em transformação pessoal e comunitária da realidade. O farisaísmo ainda vigora sem peias.
Penso que uma atitude urgente de conversão que devemos tomar é a de acolher a pessoa humana como Jesus, olhá-la com o olhar de Deus e arrancarmos de nosso coração o preconceito que faz tanto mal. Preconceito contra as mulheres [que constituíam o grupo dos discípulos de Jesus!], contra outros grupos e movimentos. Buscarmos compreender o que se passa por dentro de cada ser humano bem como as motivações que os levam a assumir essa ou aquela postura na vida. Compreendermos cada um dentro de seu contexto de vida e ajudá-los a fazer um caminho de seguimento a Jesus. É essa a nossa missão, pois foi a missão de Jesus.
revisitando o pensamento do Pe. Júlio Maria De Lombaerde, SDN
[proferida pelo Pe. Marcos Antônio Alencar Duarte, SDN]
Belo Horizonte, 03 de maio de 2013.
(O texto que segue refere-se à parte central da conferência)
Maria, a Senhora Eucarística
Pe. Marcos Antônio Alencar Duarte, sdn
O Pe. Júlio Maria De Lombaerde com sua piedade mariana que lhe bem própria, foi percebendo que havia uma relação estreita entre Maria e a Eucaristia. Ele mesmo, afirmava que esta relação – Maria e Eucaristia era algo bastante perceptível. “Quem ama a Maria santíssima, ama necessariamente o Tabernáculo, onde reside Jesus sacramentado. Aquele que ama sinceramente a Mãe de Jesus adquire, pouco a pouco, um grande amor a divina Eucaristia”. E ainda: “Quereis formar almas eucarísticas? Formai almas marianas! Quereis levar almas aos pés de Jesus Cristo Lançai-as nos braços de Maria!”( Pe. Júlio Maria.Um anjo da Eucaristia, p. 143)
O Pe. Júlio Maria na sua obra: Maria e a Eucaristia confidencia, então, que havia “uns trinta anos que desejava fazer este estudo: Comecei diversas vezes, mas recuei diante da sublimidade da doutrina a expor e dos poucos argumentos certos que os autores fornecem a este respeito. Não aparecendo nada sobre o assunto, que continua a ser uma quase novidade na vida eucarística, resolvi enfrentar os perigos, beirar os abismos e penetrar no âmago da grande questão” (Maria e Eucaristia, p. 13).Para o Pe. Júlio Maria a questão tratar consistia “em demonstrar que, sendo a Eucaristia, no dizer de todos os teólogos, a continuação da Encarnação, é também a continuação da ação da SS. Virgem’. Ele queria mostrar que Maria exerce um papel preponderante na Eucaristia, assim como exerceu um papel preponderante na Encarnação” [ Pe. Paschoal Rangel. O Lutador, edição de 03 a 09/09/1995].
Para o Pe. Júlio Maria não bastava só divulgar o título: Nossa Senhora do Santíssimo Sacramento. Era preciso entender e explicitar se possível de uma forma “teológica” o significado desse título dado a Nossa Senhora. Quais foram as suas principais intuições teológicas dadas a esse título?
No Livro Maria e a Eucaristia encontramos dois princípios básicos que nos ajudam a compreender as ideias fundamentais do Pe. Júlio Maria, a respeito da relação entre Maria e a eucaristia. Vejamos:
O primeiro é a relação que ele estabelece citando a patrística entre Encarnação e Redenção. E a eucaristia aparece como uma chave de leitura para ler um e outro mistério. É por isso, que inúmeras vezes ele, o Pe. Júlio Maria dizia que a eucaristia era um prolongamento do mistério da Encarnação e da Redenção. Já o segundo principio é que Maria tomou parte ativa na vida de Jesus, inclusive no mistério pascal atualizado na eucaristia.
Quanto ao ensinamento do Pe. Júlio Maria sobre a Eucaristia – prolongamento da encarnação e da redenção. Podemos entender assim: “Que Cristo colocando-se presente sob as espécies de alimento, quis estender para a sua Igreja o mistério mediante o qual ficou presente entre os homens – a encarnação. Ainda: que Cristo, instituindo um sacrifício próprio da Nova Aliança – ‘este é o Novo Testamento em meu sangue” – quis estender para a sua Igreja o mistério mediante o qual resgatou os homens – a redenção. A comunhão de que os homens atualmente participam é, assim, a um tempo, a participação dos dois mistérios centrais do cristianismo, é a união pessoal de cada homem ao verbo encarnado e ao verbo redentor”(Pe. Antônio Miranda, Teologia Sacramentina do Pe. Júlio Maria, p. 19).
Para a compreensão da relação de Maria com a eucaristia, o Pe. Júlio Maria, entendia que Nossa Senhora tomou parte ativa, maternal nestes dois mistérios da vida de Cristo: encarnação e redenção. Assim, segundo o Pe. Júlio, Maria deve estar intimamente relacionada com a eucaristia, que os prolonga. E quando Pe. Júlio Maria, diz que a eucaristia é um prolongamento da eucaristia se concluiu que “a humanidade que o Verbo tomou uma vez pela encarnação, na virgem Maria, nunca o abandonou. A humanidade recebida de Maria, Cristo nunca a abandonou. Cada vez, pois que o pão e o vinho se transubstanciam em sangue e corpo de Cristo, ali esta em mistério a mesma humanidade que nasceu de Maria, se estendendo através do tempo de espaço o mistério da encarnação. O verbo que se fez carne e faz carne na eucaristia”[Pe. Júlio Maria, Maria e a Eucaristia p. 170].
Para o Pe. Júlio Maria, Nossa Senhora, é modelo e exemplo de vida eucarística, de vida redimida pela graça da cruz. Ele fala isso tendo em mente a cena na ultima ceia e de Maria aos pés da cruz, como esta descrito no evangelho de João. Para o Pe. Júlio Maria, Maria Santíssima estava presente na última ceia (dia da instituição da eucaristia) juntamente com os apóstolos, foi a primeira a participar do mistério redentor da cruz de Cristo. E para ele a cena de Maria ao pé da cruz, é símbolo da Igreja redimida, reunida pelo sacrifício pascal do Senhor.
E neste sentido que Pe. Júlio Maria compreende a relação de Maria e a Eucaristia. Maria como exemplo de mulher “eucaristizada”, redimida pela paixão redentora do Senhor. Assim ele rezava: “Sois a Senhora do Santíssimo Sacramento, porque, a primeira, praticastes todos os deveres da vida eucarística, ensinando-nos, pelo vosso exemplo, como devemos honrá-lo, visitá-lo e recebê-lo”[Formulário dos Exercícios e Orações da Congregação dos Missionários de Nsa. do Smo. Sacramento. Louvores a Nossa Senhora do Santíssimo Sacramento, nº 04].
O Pe. Júlio Maria, estava preocupado em expandir a devoção a Nossa Senhora do Santíssimo Sacramento, mostrado Maria como modelo dos comungantes. Para ele, Maria, antes de tudo, é a mãe “eucaristizada” (aquela que viveu plenamente o mistério pascal de Cristo) e também a mãe “eucaristizante” (aquela que leva a todos a comungarem, a viverem uma vida de comunhão com Cristo Sacramentado).
Para a época, o Pe. Júlio Maria dá passos significativos com relação a devoção mariana propagada. Ele não concebia Maria somente como modelo dos adoradores, mas acima de tudo, como modelo de vida eucarística. Essa era a imagem que encantava o Pe. Júlio Maria e o motivou a escrever e divulgar esse título.
Inauguração do auditório Pe. Demerval Alves Botelho, SDN
Os Missionários Sacramentinos de Nossa Senhora estão reunidos em Assembleia nos dias 15 a 18 de Abril de 2013. O principal objetivo desta assembleia é dar os primeiros passos em preparação ao XV Capítulo Geral Eletivo o qual está previsto para acontecer em Outubro deste ano.
Nosso assessor, Pe. Dalton Barros, CSsR, de Belo Horizonte que está nos auxiliando neste processo preparatório. As atividades da assembleia no decorrer dos dias têm sido produtivas e bem variadas, incluindo a visita ao patronato, que faz parte de nossos projetos sociais. ... Na noite de terça-feira, foi lançado o livro do Pe. Demerval Alves Botelho, SDN “História dos Missionários Sacramentinos de Nossa Senhora, III volume”. Padre Demerval é um homem de grandes conhecimentos, historiador, escritor, professor, entre outros títulos que carrega durante os anos percorridos até aqui. Ele conviveu por seis anos quando o nosso querido Pe. Júlio Maria De Lombaerde ainda pisava este solo brasileiro. Muito contribuiu para a nossa Congregação, tanto quanto formador, como um mestre espiritual. Um homem profundamente apaixonado pelo nosso fundador, a convivência com ele muito nos enriquece com sua simplicidade e amor pela missão.
Para abrilhantar esta noite, foi realizada a inauguração do Auditório no prédio Pio XI, intitulado de “Auditório Pe. Demerval Alves Botelho, SDN”: tamanha foi a sua alegria e emoção que sua simplicidade não deixou de ser notada diante de seus olhos e de seu discurso, tais foram suas primeiras palavras: "Eu me espanto com toda essa admiração de vocês para comigo. Eu sou apenas um Servo do Senhor, eu não fiz nada demais, fiz o que eu devia fazer!" (Pe. Demerval diante da placa inaugural). Esta é uma forma de agradecer a este grande homem todos os grandes feitos que vem realizando em prol de nossa Família Julimariana, tal evento não é o suficiente comparado a todos os seus trabalhos totalmente dedicados e doados a serviço de Deus. Muito obrigado Pe. Demerval!
Texto e fotos: D. Afonso, Aspirante Sacramentino de Nossa Senhora Manhumirim, 16 de Abril 2013.
A Assembleia Sacramentina está acontecendo entre os dias 15 a 18 de Abril, na Casa-Mãe dos Missionários Sacramentinos de Nossa Senhora. Somos uma família unida, embebida nas forças do Espírito Santo; na coragem e na ousadia destemida de nosso Fundador Padre Júlio Maria De Lombaerde; na proteção e fidelidade à Palavra de Deus da Virgem Santíssima; na presença eucarística no meio do Povo de Deus, “o comer o Pão juntos”, sobretudo com os que mais sofrem; nas Sagradas Escrituras que é a nossa fonte de Luz primeira; e no Espírito Missionário de Jesus Cristo, nosso Mestre, Guia e Pastor.
Esta assembléia estará sendo assessorada pelo Padre redentorista, Pe. Dalton que estará nos auxiliando no processo de preparação do XV Capítulo Geral que se realizará em Outubro deste ano. A importância desta assembléia é de cunho primordial para a nossa Congregação, pois será neste encontro com todos os irmãos de todas as Casas Sacramentinas espalhadas no Brasil, que daremos os primeiros passos para que o nosso Capítulo Geral seja conduzido pelo Espírito Santo de Deus.
A Casa-Mãe é uma Casa de Irmãos! E que assim possa continuar sendo neste dias de encontro e de trocas de partilhas, como nos diz o salmista: “Vejam como é bom, como é agradável os irmãos viverem unidos” (Sl 133,1.). Viverem unidos pela oração e pela missionariedade. Os Pe’s. Joãos Lúcio e Renato, SDN estão na África, e estão em sintonia com nossa Assembleia através deste espírito de evangelização, espírito este que carregamos deste de nosso fundador, que era um homem à frente de seu tempo!
Que desta assembléia os frutos possam trazes bons sabores aos nossos paladares. E, que ao serem degustados, as sementes possam cair na terra boa e produzir frutos, trinta, sessenta e de até cem por um!
Texto e fotos: D. Afonso, Aspirante Sacramentino de Nossa Senhora.