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Uma pergunta instigante Imprimir E-mail
19-Dez-2009

                                Uma pergunta instigante  

 

ImageÀs portas da celebração do nosso XIV Capítulo Geral penso ser interessante continuar nossa reflexão sobre a refundação de nossa consagração. Ou seja, como estamos com nós mesmos, com a comunidade, com a Congregação, com Deus? Que nível de realização pessoal, de satisfação carregamos dentro de nós? Em que medida esse grau de satisfação permite que entusiasmemos outros para abraçar esse estilo de vida que escolhemos?

 

Em um artigo para esse nosso informativo, tempos atrás, eu retomava uma pergunta instigante do Pe. Pedro Setim, quando pregava um retiro para nosso grupo congregacional: “Se um jovem pudesse ver, objetivamente, nossa realidade espiritual, teria motivos para arriscar a vida?” (Coisa Nossa, set/out 2006, encarte).

 

Hoje quero retomar outra pergunta. É o Pe. Jaldemir Vitório quem a faz em um artigo para a Convergência, julho-agosto /2009. E a pergunta pode causar mal-estar: “Se um irmão, irmã ou parente seu quisesse ser religioso, você indicaria a Congregação a que pertence?”. Vejam que esse questionamento nos coloca em “saia justa”. A resposta, ainda que no silêncio do coração, revela nossa situação vocacional, existencial, espiritual, congregacional.

 

Há aqui várias possibilidades de respostas. Se digo não, posso estar colocando em xeque a mim mesmo e a Congregação. Como completa o próprio Vitório: “Se alguém não se dispõe a apresentar seu projeto de vida como possibilidade a um irmão, irmã ou parente é porque existe algo de errado”. Mas se digo sim, essa resposta pode se desdobrar em duas situações distintas: ou a Congregação é lugar de realização pessoal na dimensão de possibilidade de estudar, de se projetar socialmente, de arranjar a vida; ou está-se bem na Congregação, consigo mesmo, na direção certa do projeto abraçado – o que é imensamente desejável!

 

Considere-se ainda que, no dizer de J. M. Guerrero “Um jovem não entra numa Congregação para uma promoção pessoal, mas para comprometer-se com Jesus Cristo e partilhar com Ele sua vida e missão em tempo integral, coração aberto e risco total” (Vinho novo em odres novos, p. 40). Ao verificarmos que esse comprometimento não ocorre poderíamos afirmar que nosso processo formativo está na contramão do Reino? Não está colaborando para que os jovens que nos procuram reafirmem seu compromisso de batizados? É bom lembrar que a formação é processo e não está circunscrita a uma casa, uma etapa. Ela demanda tempo e envolvimento de todo o grupo congregacional.

 

Amanhã teremos os religiosos que, hoje, somos capazes de formar. O que somos hoje foi fruto de um processo do passado. O triste é continuarmos a música no mesmo toque, como se nada estivesse acontecendo. Como se a responsabilidade do processo formativo fosse tarefa única e exclusiva do formador e do governo congregacional. E a participação dos religiosos da ativa, nas paróquias e comunidades, nas empresas e outras atividades? Se não estivermos sendo sinais do Reino, característica da vida consagrada, não estamos colaborando com “os de fora” e muito menos com “os de dentro”.

 

É tempo de repensarmos nossa missão de consagrados e nosso lugar na comunidade, na Congregação, na Igreja e na sociedade. Nossas comunidades precisam, urgentemente, se tornar apelo de vocações para os vários ministérios na Igreja, ninhos em que se geram vidas doadas, entregues, ofertadas eucaristicamente para a vida do mundo. Uma presença que seja real, como a de Jesus na eucaristia. Que faça a diferença. Não uma camuflagem, um faz-de-conta, uma duplicidade ambígua e interesseira.

 

Assim rezava o Pe. Júlio Maria: “Ou retirai-me deste mundo ou dai-me a graça de salvar essas almas”. Sem esse desejo e busca da realização da salvação das pessoas, não vale a pena continuar nesse caminho. “Não recebais a graça de Deus em vão” (2Cor 6, 1).

 

 

Pe. Aureliano de Moura Lima, SDN

Matozinhos/MG

 
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Minha terna Mãe, dai-me uma fome e uma sede insaciáveis da Eucaristia!... que eu viva dela... que viva para ela... e que a minha maior aspiração seja de não me fazer senão um com ele, pela comunhão.

Pe. Júlio Maria De Lombaerde
Contemplações Evangélicas, p.385