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Para uma refundação pessoal No último retiro congregacional o pregador, Pe. Lourenço, nos instava à refundação da vida consagrada. Perguntando por que a vida religiosa está em crise ele mesmo respondia: “esquecemos o que somos na Igreja”. Comentando a trajetória histórica de uma Congregação dizia que há um começo carismático (experiência mística do fundador), depois entra num processo de expansão (muitos querem viver essa espiritualidade), em seguida ocorre a acomodação (vai-se esquecendo o começo), e finalmente ocorre a crise de vida ou de morte (distância entre o que se fala e o que se vive).
Nesse tempo pré-capitular é muito importante retomarmos nossa refundação pessoal. Rever nosso projeto de vida, a quantas andam nossas relações afetivas (relações de amor e ódio), nossa vida cristã de encontro e seguimento a Jesus Cristo (vida sacramental e de oração pessoal e comunitária), nossa fraternidade (se colaboramos objetivamente com o irmão, se jogamos pedras, se acolhemos, se ajudamos, se somos maledicentes, etc). Falamos muito em plano congregacional. Temos dois planos: Plano Geral de Formação e Plano Geral Congregacional. A cada capítulo elaboramos um Plano de Governo. E os planos se sucedem: comunitários, paroquiais, letivos, administrativos, etc. E o plano pessoal como missionário sacramentino... enviado a determinada área de missão, para um trabalho que não demanda somente execução de um projeto, mas que empenha nossa vida: corpo, alma, coração, ouvido, olhos, sentimentos, inteligência...? A refundação de nossa Congregação passa pela refundação de nosso ser Missionário Sacramentino de Nossa Senhora. A retomada do “começo carismático” é elemento essencial para a refundação. Ali se alimenta o ardor missionário que é capaz de contagiar a todos que partilham de nossa ação missionária. Ali se alimenta o sonho, o encanto. É possível pensar num missionário desencantado? É até contra-senso tal expressão: missionário desencantado! Refundação nele! O padre pregador nos apontava alguns sinais de crise: Ativismo: um fazer sem freios com abandono do essencial: oração, retiros, leituras, formação permanente. Começamos a “secar por dentro”. Secularização: assumir normas não-evangélicas, comprando os valores do mundo secularizado. Começamos a diluir a força do Evangelho. Incoerência: esquecemos que somos pessoas consagradas na Igreja. Entramos no formalismo/comodismo que traz como resultado cansaço, desilusão e desânimo. Falta de fraternidade: amamos menos uns aos outros. Ninguém pode me questionar. Vivemos juntos sem gerar vida. E por fim as desistências: às vezes por motivos banais. Causam desânimo no grupo. Tal como o Povo de Israel no deserto, nós vivemos experiências de crise, murmuração, retomadas, cansaços. As crises não constituem o problema. A dificuldade está em como lidamos com elas. Ainda não estamos sabendo enfrentar nossas próprias dificuldades: pessoais e comunitárias. Penso que só um projeto de vida, como o Povo de Israel que sabia aonde queria chegar, poderá nos ajudar a lidar com essas situações. O Capítulo que estamos para celebrar não seja “mais um capítulo”, mas um tempo de graça – kairós – em nossa vida pessoal e congregacional para que nossa ação na história seja mais eficaz. Essa missão é nossa. Nós temos obrigação de dar uma resposta qualificada à Igreja e ao mundo. Isso depende de como cada um elabora seu projeto de cristão consagrado como Missionário Sacramentino de Nossa Senhora. Pe. Aureliano de Moura Lima, SDN Matozinhos/MG |